sexta-feira, 14 de março de 2025

MEDOS

MEDOS

Nunca fui um gajo medroso, mesmo em pequenito! Não tinha medo de nada! Era um puto do mato e gostava imenso olhar para as iguanas, nos rios, em cima dos penedos a apanhar sol, mirar - da janela da escola - as gazelas e macacos a brincar num descampado, os pombos verdes, as águias, dar tufos de erva aos hipopótamos, de cima da ponte, enfim... Foi divertido ter nascido em África mas, tinha um "medo"; não gostava nada, de cobras! Nadinha! No caminho para a escola, um atalho pelo meio do mato, encontrava bastas vezes, cobras atravessadas no caminho e qual delas a maior! Para passar sobre aquele meu "medo", recuava e desatava a correr e, saltava por cima do bicho! Medo verdadeiramente nunca tive! Já adulto e a viver no Canadá(Toronto) usei muitas vezes os transportes públicos. Confesso que cheguei a ter muitos receios do comportamentos de alguns "bichos" humanos! Eram todos diferentes e com diversos comportamentos. No metropolitano, tinha muito mais cautela. O metro anda por baixo de terra e parava, parava naqueles túneis bastas vezes e por alguma razão que desconhecia! Era aí que, o meu receio voltava e voltava com mais força do que ter de enfrentar as pobres cobras em Moçambique, de casa para a escola ou por outros caminhos e "esconderijos" por onde andava e a brincar como se fosse o Tarzan lá do sítio. Até conseguia convencer a Clara, a minha "Jane", a subir o mais alto possível, ao abacateiro de casa, com os bolsos cheios de açúcar, para conseguir comer abacates, aquele fruto intragável e pastoso. Medo de cair? Não tinha e nunca pensei no assunto!

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