sexta-feira, 17 de março de 2017

Marcelo e os livros

Marcelo, o Presidente da República de Portugal, gosta muito de livros. Montou uma feira do livro no quintal da nossa casa: o Palácio Presidencial. Perseguido por um séquito de convertidos, lá vai ele saltitando de stand em stand até que, abarbata um incauto infanto-leitor e pergunta-lhe:
PR: Gostas de livros?
O puto: Gosto!
PR: De qual é que gostas?
O puto: Este! - Aponta para um livro de bonecada.
PR: Ai é? Vou oferecer-te! Quanto é? - Pergunta o PR à espasmódica funcionária da barraca.
(Confesso que não ouvi a quantidade de euros pedidos. Vi o PR a sacar de uma nota do bolso do casaco. Era azulada. Nota de vinte, por certo.) - Ó shôr Presidente! Deixe estar. Nós oferecemos o livro à criança! - Diz um senhor de bigode farfalhudo.
PR: Acha que sim? - Agarra o franzino pescoço da criança esbugalhada, e "destroce" em direcção ao solícito benfeitor de bigode farfalhudo (livreiro?) e diz: - Olha! Agradece ao senhor, vai! Ele é que te oferece! Diz obrigado! O puto disse obrigado!

Sentado no sofá da minha micro-sala, olhando o meu macro-flat-televisor de trezentos euros (metade do meu salário),  pensei cá com os ilhós das minhas jeans: Este PR é... in-te-li-gen-te! Quase ia cometendo um crime, aceitando uma oferta!... Aceitar prendas!!! É crime não é?

Epílogo inventado!

O puto foi para casa com o livro debaixo do braço e comunicou à mãe e ao pai-que-não-lê, - porque faz doer a cabeça! - que o Presidente de Portugal lhe tinha oferecido o dito. O pai iletrado deu-lhe uma palmada-sacode-poeira no cú e disse-lhe: - "Não quero mentirosos cá em casa! Os livros fazem mal às pessoas! É coisa de comunas!

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