Um amigo chegou-se perto de mim montado na sua última aquisição: uma Honda CB 750cc! Na gíria popular, um motão. - Olha pra isto! O que é que achas?
- Hummm, ok! Deixa-me dar uma volta nessa merda e já te digo! - Disse eu! E lá fui, apontando o "bicho" para uma recta conhecida. Em pouco mais de 200 metros atingi a já letal velocidade de 150 quilómetros! Só não foi mais porque a recta terminava ali, na curva do pinhal! O meu corpo tremia. Voltei calmamente e entreguei a mota ao dono. - Tu deste-lhe bem! Ouviu-se o roncar aqui! - Disse o amigo que não me viu cometer tamanha estupidez. Na volta, na pequena e estreita rua, cheia de intersecções, pensei para comigo, em como tinha acabado de cometer uma das maiores burrices de sempre! Eu, - na altura - pai de duas crianças de tenra idade, podia, naquele momento fugaz, ter morrido! Bastava só, que um carro atravessasse um dos vários cruzamentos e a minha vida... já era! Tive várias motinhas e a última queda, deixou-me uma pequena lesão no pescoço. Estive envolvido em mais duas situações perigosas. A toleima passou-me mas não me passou o vício das motas. Espero ter outra, assim a situação financeira o permitir. (Riso!)
Vem isto a propósito de quê? Paulo Gonçalves! Paulo Gonçalves era um gajo que eu, como adepto das motas, admirava. Deixou dois filhos menores! É aqui que entra a minha, talvez crítica! Valeu a pena? Paulo Gonçalves foi egoísta por amor a uma perigosa modalidade? Não o vou julgar, não senhor! Não vou não! Posso imaginar a angústia da mulher, de cada vez que Paulo partia para mais uma competição. Posso imaginar e não gostar, ver duas crianças a crescer sem a presença do pai, pessoa que eles, provavelmente, admiravam. Paulo morreu num incidente! As probabilidades de se morrer numa competição de motas é alta e as estatísticas estão aí, à vista de todos! A meu ver e vale o que vale, as perigosas decisões que muitas vezes tomamos devem ter em conta, sempre, um pensamento para aqueles que deixamos para trás. Que Paulo Gonçalves descance em paz e que em paz fique também a família.
Eu devia ter uns 18 ou 19 anos quando vi um piloto de motociclismo treinar numa recta na zona industrial da Maia e literalmente partir-se todo contra um BMW que se atravessou num dos vários cruzamentos existentes. Peguei na minha mota e acelerei para o local do embate e vi um homem completamente desfeito, numa mistura de braços, pernas e muito sangue! O carro estava partido ao meio! Uma imagem que nunca mais esqueço.
Nos anos 70 do século passado, havia um rapazinho, que montado na sua Zundapp, subia e descia a velocidades excessivas as curvas na Raposeira, entre Outeiro e o centro da vila e toda a gente deitava mãos à cabeça. Que o rapaz era doudo! Um dia, embateu com toda a violência, num poste de electricidade, de cimento, ali pertinho onde eu vivia. Quando fui ver o local do acidente, reparei nos pedaços de cérebro - assim me disseram - espalhados pelo chão e poste!
Quando rebentei com a embraiagem na minha Casal RZ 50, o meu pai meteu a mota na carrinha Austin Sherpa e levou-ma ao mecânico.
- Isto anda muito, não anda? Cinco velocidades...! - Perguntou ele ao mecânico. O Sr. Santos olhou para ele e disse: - Cinco velocidades? Isto tem seis! - O meu pai virou-se para mim e olhou-me com um ar "assassino". Quando a comprei, menti e disse que a máquina só tinha 5 velocidades! Seis velocidades, queria dizer... muita velocidade!! Velocidade tinha ela! Ali entre a Maia e Vila do Conde, aquilo era quanto dava e a "bichinha" andava... Dava mesmo os 120kms/hora! Se dava! É que, sabem, havia miúdas à espera, espojadas pela praia à espera dos "manguelas" vestidos de blusões de couro falso... nem que fizesse 40º à sombra!
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