terça-feira, 11 de maio de 2021

Adriano Valente

 Vestia o seu famoso casaco-leopardo sem olhar a modas. Tinha um fetiche por sapatos, estranhos, digo eu! Nas tainadas, era ele que fazia tudo. Queria fazer tudo! Os grelhados, a preparação das cebolas do taco, a salada de atum e o que mais viesse para encher o pandulho aos convivas. Sempre no mesmo local; ao lado de um riacho de água cristalina e velhos moinhos. Era o único com coragem para dar um mergulho naquela água glacial. Sim, mergulhava em água gelada! Conto uma história contada por ele: Um dia, em miúdo comunicou alguém ao pai, preocupado, que o pequeno estava a tomar banho no tanque exterior à casa - em pleno Inverno! O pai pergunta ao interlocutor se por acaso era um "escurinho"! - Sim, que era escurinho! - Ah! Esse? É normal! - O Adriano, era sim, de tez trigueira. Será sempre o escurinho! O Adriano, soube agora, deixou-nos! O Adriano Valente foi um valente na sua luta. Não lhe conhecia inimigos! Vai fazer falta a quem gostava dele. Vai fazer falta aos amigos!

(Na foto, no dia da apresentação do meu livrinho de BD/tiras "Bastito", na Junta de Freguesia de Arco de Baúlhe - Fevereiro 2019)



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