Passava pelo terraço da casa quando dou conta de uma fila de seis formigas. Cinco do tamanho de sete milímetros e uma gigante, cabeçuda e com mais de um centímetro de comprimento. Segui-as! A cabeçuda, ora passava para a frente, ora ia até à retaguarda da fila que ziguezagueva, ora pescrutava os flancos certificando-se de hipotética ordem pré-estabelecida. Pensei eu!
No terraço há um pequeno tufo de ervas viçosas. As formigas chamar-lhe-ão floresta! Desviei o olhar por uns segundos. Tinham desparecido. Desapareceram no matagal por certo. Supostamente existem galerias com habitações, berçários, restaurantes e casas de banho. Imaginei a formigona acercar-se da matrona da raínha e apresentar o cortejo. Esta, ríspida, virando-se para a formiga cabeçuda disse: "Demoraste muito! Onde estão as outras onze companheiras?"
-"Morreram esmagadas sua alteza", respondeu a formiga cabeçuda!
-"Como assim, esmagadas?"
-"Foi um humano de nome Mário, montado no seu vetusto e esbandalhado Citroen AX!"
-"Haxixe? Mais um drogado por certo! Soldado - afinal era militar - toca a rebate e reune o exército, a criadagem, as prostitutas, tudo! Vamos fazer-lhe uma espera!"
Epílogo - No dia seguinte encontrei uma fila de formigas, medianas e cabeçudas, em direcção à cozinha e a enfardar, sofregas, pão-de-ló molhado!
Não gostei! Fui comprar Mafu, - sim, da Bayer! - porque as outras marcas são ópio para os estupores dos insectos himenópteros! Ficam grogues e não morrem! Eu queria-as mortas! O meu pão-de-ló de Alfeizerão, é que não! É sagrado! Santa paciência!
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