Imaginem o que seria alguém que vive no Donbass ver qualquer um dos nossos telejornais e descobrir que a guerra que vivem há quase 12 anos começou afinal apenas há quatro anos. Isto tem duas razões. A primeira é que quando o novo regime ucraniano lançou uma intervenção contra as forças separatistas no Donbass, em 2014, não lhe quis chamar guerra. Chamava-lhe Operação Anti-terrorista. A segunda é que para a esmagadora maioria dos meios ocidentais as únicas vidas que importam são as dos que vivem do lado de cá da linha da frente. Daí não haver nenhum repórter português, nem qualquer referência, neste dia, ao que se passa do outro lado. Até 2022, quando as bombas caíam apenas sobre a população do Donbass, independentemente da zona, era uma guerra que pouco importava. Com as devidas diferenças, como aconteceu com o 7 de Outubro na Palestina, tenta-se apagar qualquer contexto histórico e fingir que para trás não houve nada.
Bruno Carvalho (jornalista) in Facebook aos 24.02.2026
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