Durante algum tempo fui trabalhar em manutenção de edifícios de apartamentos, alguns deles, habitações sociais. - "O Mário tem jeitinho; ele trata disso!" - diziam bastas vezes!
O caso mais dramático, foi a recusa do inquilino. Não queria que eu entrasse no apartamento. Eu estava com o responsável do prédio ao meu lado, o porteiro. Só assim é que podia entrar. Nos prédios, na sua maioria, por serem blocos de mais de 100 apartamentos, existe sempre um porteiro com habitação própria nesse mesmo prédio. A função deste é basicamente a limpeza dos corredores, e outras instalações como ginásios, sala de banquetes(não eram permitidas festanças nos apartamentos!) e a recolha do lixo. O sistema da recolha do lixo foi dos mais práticos e eficientes que encontrei até hoje. Em todos os andares há um pequeno compartimento com porta de metal. Dentro, na parede, existe um buraco e portinhola directamente ligado por conduta, a um contentor recipiente na cave! Assim, basta caminharmos uns metros, depositar o saquinho com lixo no buraco e já está!; o porteiro trata do resto!
Dizia eu então, que estava com um teimoso pela frente, quando de repente o fulano vai à cozinha e vem de lá com um facalhão mata-porcos para me esfaquear! Conseguimos controlar o gajo! Eu fui-me embora e não voltei a fazer a manutenção de mais nenhum prédio! Antes deste episódio passaram-se outros e alguns bem divertidos. A saber!
Um episódio mais ou menos estranho foi quando me pediram se ia substituir as fechaduras de entrada de todos os apartamentos de um prédio da Assitência Social. Como não havia carrinha disponível, o patrão mandou-me pegar no seu Ford Mustang. Carreguei o carro de fechaduras e lá fui eu, de Mustang! Chegado ao local, pediram-me se substituia imediatamente a fechadura de apartamento X. Mudei e contaram-me o porquê daquele apartamento específico. Tinham encontrado colchões espalhados por todo o lado. Mais de dez brasileiros viviam ali ilegalmente. Um dos anteriores inquilinos, também brasileiro, tinha-se mudado e o colega de apartamento ficou com a chave. Depois calculo, foi meter lá pessoal à fartazana. Imagino a cara com que ficaram os "inquilinos".
Nesse dia almocei num refeitório improvisado, onde serviam três velhinhas muito simpáticas. Perguntaram-me se queria almoçar. O preço era simbólico. Era para ajudar uma associação qualquer. Almocei meat loaf! Não sabia o que era aquilo. Perguntaram-me se queria também "gravy"! Também não sabia o que era... Well...venha de lá o gravy! As senhoras estavam lá para alimentar gente verdadeiramente necessitada. E lá almocei no meio daqueles amigos todos! O gajo que conduzia Mustang!
Num prédio em que trabalhei a colocar rodapé, acabei por ficar para fazer alguma manutenção que faltava, uns retoques. Já havia gente em muitos apartamentos. O porteiro era um grego, homem mais velho, simpático. Dizia-me que éramos irmãos. Aos poucos fui descobrindo isso mesmo; éramos mesmo, gregos e portugueses, povos muito parecidos. Mark - assim gostava de ser chamado! - limpava o hall de entrada, quando um canadiano entra com a bicicleta cheia de lama. Mark reclamou! Tinha acabado de limpar aquilo! O canadiano (quando digo canadiano, refiro-me aos de origem britânica!), respondeu um "vai para a tua terra!". Eu estava por ali, não era comigo mas reagi em inglês: - "Olha meu filho-da-puta, estás a desrespeitar um cidadão de uma cultura milenar, és um monte de merda e vai tu para a tua terra porque isto, é terra de índios!" - Tinha pegado no meu martelo e tinha virado as "orelhas" para lhe arrear nos cornos. O escroque foi expulso do prédio. Teve azar. O dono da empresa responsável daquele conjunto de quatro prédios era o "resultado" de uma russa e um italiano! O gajo, soube depois, era carcereiro!
Um outro dia, chegado à sede da empresa, disseram-me para me dirigir ao bloco de apartamentos na Lawrence St, a norte de Toronto. Disseram-me que num dos apartamentos, vinha um fedor insuportável. Os outros inquilinos já não aguentavam. Bati à porta do apartamento. Abriu-me a porta, uma senhora muito mal vestida. Pedi-lhe para entrar e segui o cheiro. Encontrei num dos quartos, doze patos! Contei-os! Doze patos a viver naquele quarto e em cima de carpet! Merda por todo o lado! Pode imaginar-se o resto! Vinham comigo dois dominicanos! Foram eles quem tirou todo aquele esterco dali. Sim, fui mauzinho! Disse-lhe que o Canadá não eram só dólares! Era também trabalho duro! Não se zangaram comigo. Antes pelo contrário, queria que fosse com eles aos bailaricos com as dominicanas aos Domingos! Um deles chamava-se Flores e que flores o gajito fazia a dançar salsa!
Neste mesmo prédio, uns andares acima, exactamente na mesma direcção, no quarto, "viviam" dois cães doberman, fechados, com dois sofás completamente esfarrapados destruídos, carpet incluída! Comuniquei ao responsável do prédio. Não sei como ficou este caso mas bicharada era o que não faltava em alguns apartamentos como por exemplo um...guaxinim!
Entrei naquele apartamento luxosamente decorado e segui a senhora judia (a decoração "denunciava-a"!) até à cozinha. Ia instalar um dispositivo de poupança de água. Na parede da sala vi um grande quadro e reconheci o estilo: Monet! Perguntei-lhe: "É um Monet, não é?" - A senhora olhou-me com estupefacção e nada disse. Pareceu-me zangada até! Reparei que no lugar da assinatura estava apenas uma raspadela. Ouvi muitas histórias da Segunda Grande Guerra e sobre o roubo de obras de arte a judeus, pelos Nazis. Muitos, na fuga, tentaram e conseguiram dissimular algumas dessas obras! A Humanidade agradece!
Alguns dias depois voltei a aquele apartamento e o quadro já lá não estava!
"Ó Mário, queres ir tu arranjar umas coisa a Church St.?" - Sei bem a que se referia o patrãozinho. Fazer manutenção a vários edifícios no chamado bairro gay! Ninguém queria ir! - Vou!, disse eu tranquilamente, olhando para os meus colegas "machos"! E fui sozinho! Confesso que nunca fui tão bem tratado por alguns dos pares que ficavam por casa. Um estilista, um pintor, etc, etc!- "Mário, queres um café? Mário, queres um muffin? Se quiseres um sumo vai ao frigorífico! Um chá?... e por aí fora! Numa semana percorri quase todos os apartamentos mas, no primeiro dia, de regresso às instalações da firma, perguntaram-me logo: "Apalparam-te o cú?" - "Foda-se! Vocês são muito burros! Porque carga de c....lhos haviam eles de me apalpar o cú? As gajas na rua também vos apalpam o cú, por acaso? E vocês? Apalpam o cú às gajas na rua? Puta que pariu!". O que sei é que passei a levar alguns colegas comigo mas eles, lá me seguiram, desconfiados! Tinham a minha "garantia" que nenhum gay lhes apalparia o traseiro! Eu é que me diverti com aquilo! Com aquilo e quando chamava os "machos" para verem umas fotos de gajos de pau feito! - "Foda-se! És paneleiro ou quê?" - Divertia-me imenso a olhar para a figurinha de tótós daquela macheza toda! Foi um fartote de riso!
Entrei a assobiar uma cantilena qualquer num apartamento que sabia ocupado por uma família russa. A mulher pôs-se logo a berrar comigo, em russo! - "Porra! Que foi que eu fiz?" - perguntei-me! O homem, marido(?) acalmou-a e disse-me que não assobiasse(!), e lá substitui o rodapé velho por um novo! Perguntei a um russo amigo o que era aquela do russos e assobios? Sorriu e disse-me que dentro de casa dos russos não se podia assobiar! Dava azar e dava a entender ser uma casa sem dinheiro! Só podia rir! Ele há cada folclore...
Quando fui substituir o chuveiro ao apartamento de uma polaca ela agarrava-me e dizia, no, no, no!! Não queria que substituisse o chuveiro. Mostrei-lhe o novo, que era melhor e por aí fora. Como não conseguia explicar-me perguntei-lhe com gestos, setinha um dicionário. Trouxe-me o dicionário de polaco/inglês! Armei-me em estudioso! Palrei umas palavras em polaco que consegui juntar palavras folheando o grosso livro. Disse-lhe para não se preocupar. Era só um chuveiro! Arregalou-me os olhos e deixou-me instalar a peça! Novamente, perguntei a um polaco se me teria explicado bem, repetindo as mesmas(?) palavras que dissera à senhora! Expliquei-lhe o sucedido! Bem...acho que nunca tinha visto um polaco a rir tanto! Nem no cinema!
Puxei as tiras de rodapé para o corredor e bati à porta. Apareceu-me uma senhora negra, muito bonita e expliquei-lhe o que vinha fazer. Ela já sabia. Enquanto arrancava e substituia as peças velhas do rodapé por novas, a senhora seguiu-me fazendo perguntas de toda a espécie. Era do Quénia e quando lhe disse que também era africano, então é que não me largou mais. Queixou-se de ter sido abandonada pelo marido deixando-a com cinco filhos de tenra idade! Sabia! Num dos quartos contei as camas todas em beliche e reparei nas fotos de toda a filharada. Segui para o quarto dela e ela segui-me, outra vez. Deitou-se na calmamente na cama a conversar(eu ouvi um ronronar!) e de saia recolhida, mostrou-me todo o esplendor das suas lindas coxas! Uf! Suei! Senti o meu corpo alterar-se! Despachei o rodapé e, bem casado(na altura!), pirei-me dali para fora! Ainda me dava uma cousa...
Houve ainda um outro caso, de uma "fofinha", filha de uma húngara rica e um grego. Queria à força toda levar-me a casa. Vi o "jogo"! Agradeci e disse-lhe que não! O marido tinha mais de dois metros de altura e tinha uma colecção fabulosa de facas! Era chef!
Podem afirmar a pés juntos que todos os emigrantes portugueses estão bem na vida. Nada mais falso! Vi muita miséria, mesmo muita, na comunidade lusa! Um dos apartamentos em que entrei impressionou-me e muito. O velhinho era português e tinha todas as paredes do apartamento, todas, com jornais empilhados até ao tecto! Até ao tecto!; estou a escrever bem! O cheiro era insuportável. Não aguentei e saí porta fora. Não me lembro nada sobre o que ia arranjar. Aquilo chocou-me!
Abri a porta do apartamento e tudo era escuro. Escuridão imensa. Liguei a lanterna porque me tinham avisado para não acender qualquer luz. Nada! O inquilino não queria! Entrei e substitui uma torneira do lavatório, sempre com a lanterna ligada. A minha vista habituara-se à escuridão e antes de sair, consegui vislumbrar ao fundo da sala, completamente desprovida de móveis e, "ajudado" por uma nesga de luz que furava através do espesso cortinado, vi o que me pareceu ser um homem sem pernas sentado numa cadeira de rodas! Parecia que acabava de sair de uma cena de Hitchcock!
Aconteceu mais um episódio com uma torneira de lavatório e a inquilina que era filipina e que...Ah! Esta não conto! Ahahahahahah!!!!
Entrei naquele apartamento luxosamente decorado e segui a senhora judia (a decoração "denunciava-a"!) até à cozinha. Ia instalar um dispositivo de poupança de água. Na parede da sala vi um grande quadro e reconheci o estilo: Monet! Perguntei-lhe: "É um Monet, não é?" - A senhora olhou-me com estupefacção e nada disse. Pareceu-me zangada até! Reparei que no lugar da assinatura estava apenas uma raspadela. Ouvi muitas histórias da Segunda Grande Guerra e sobre o roubo de obras de arte a judeus, pelos Nazis. Muitos, na fuga, tentaram e conseguiram dissimular algumas dessas obras! A Humanidade agradece!
Alguns dias depois voltei a aquele apartamento e o quadro já lá não estava!
"Ó Mário, queres ir tu arranjar umas coisa a Church St.?" - Sei bem a que se referia o patrãozinho. Fazer manutenção a vários edifícios no chamado bairro gay! Ninguém queria ir! - Vou!, disse eu tranquilamente, olhando para os meus colegas "machos"! E fui sozinho! Confesso que nunca fui tão bem tratado por alguns dos pares que ficavam por casa. Um estilista, um pintor, etc, etc!- "Mário, queres um café? Mário, queres um muffin? Se quiseres um sumo vai ao frigorífico! Um chá?... e por aí fora! Numa semana percorri quase todos os apartamentos mas, no primeiro dia, de regresso às instalações da firma, perguntaram-me logo: "Apalparam-te o cú?" - "Foda-se! Vocês são muito burros! Porque carga de c....lhos haviam eles de me apalpar o cú? As gajas na rua também vos apalpam o cú, por acaso? E vocês? Apalpam o cú às gajas na rua? Puta que pariu!". O que sei é que passei a levar alguns colegas comigo mas eles, lá me seguiram, desconfiados! Tinham a minha "garantia" que nenhum gay lhes apalparia o traseiro! Eu é que me diverti com aquilo! Com aquilo e quando chamava os "machos" para verem umas fotos de gajos de pau feito! - "Foda-se! És paneleiro ou quê?" - Divertia-me imenso a olhar para a figurinha de tótós daquela macheza toda! Foi um fartote de riso!
Entrei a assobiar uma cantilena qualquer num apartamento que sabia ocupado por uma família russa. A mulher pôs-se logo a berrar comigo, em russo! - "Porra! Que foi que eu fiz?" - perguntei-me! O homem, marido(?) acalmou-a e disse-me que não assobiasse(!), e lá substitui o rodapé velho por um novo! Perguntei a um russo amigo o que era aquela do russos e assobios? Sorriu e disse-me que dentro de casa dos russos não se podia assobiar! Dava azar e dava a entender ser uma casa sem dinheiro! Só podia rir! Ele há cada folclore...
Quando fui substituir o chuveiro ao apartamento de uma polaca ela agarrava-me e dizia, no, no, no!! Não queria que substituisse o chuveiro. Mostrei-lhe o novo, que era melhor e por aí fora. Como não conseguia explicar-me perguntei-lhe com gestos, setinha um dicionário. Trouxe-me o dicionário de polaco/inglês! Armei-me em estudioso! Palrei umas palavras em polaco que consegui juntar palavras folheando o grosso livro. Disse-lhe para não se preocupar. Era só um chuveiro! Arregalou-me os olhos e deixou-me instalar a peça! Novamente, perguntei a um polaco se me teria explicado bem, repetindo as mesmas(?) palavras que dissera à senhora! Expliquei-lhe o sucedido! Bem...acho que nunca tinha visto um polaco a rir tanto! Nem no cinema!
Puxei as tiras de rodapé para o corredor e bati à porta. Apareceu-me uma senhora negra, muito bonita e expliquei-lhe o que vinha fazer. Ela já sabia. Enquanto arrancava e substituia as peças velhas do rodapé por novas, a senhora seguiu-me fazendo perguntas de toda a espécie. Era do Quénia e quando lhe disse que também era africano, então é que não me largou mais. Queixou-se de ter sido abandonada pelo marido deixando-a com cinco filhos de tenra idade! Sabia! Num dos quartos contei as camas todas em beliche e reparei nas fotos de toda a filharada. Segui para o quarto dela e ela segui-me, outra vez. Deitou-se na calmamente na cama a conversar(eu ouvi um ronronar!) e de saia recolhida, mostrou-me todo o esplendor das suas lindas coxas! Uf! Suei! Senti o meu corpo alterar-se! Despachei o rodapé e, bem casado(na altura!), pirei-me dali para fora! Ainda me dava uma cousa...
Houve ainda um outro caso, de uma "fofinha", filha de uma húngara rica e um grego. Queria à força toda levar-me a casa. Vi o "jogo"! Agradeci e disse-lhe que não! O marido tinha mais de dois metros de altura e tinha uma colecção fabulosa de facas! Era chef!
Podem afirmar a pés juntos que todos os emigrantes portugueses estão bem na vida. Nada mais falso! Vi muita miséria, mesmo muita, na comunidade lusa! Um dos apartamentos em que entrei impressionou-me e muito. O velhinho era português e tinha todas as paredes do apartamento, todas, com jornais empilhados até ao tecto! Até ao tecto!; estou a escrever bem! O cheiro era insuportável. Não aguentei e saí porta fora. Não me lembro nada sobre o que ia arranjar. Aquilo chocou-me!
Abri a porta do apartamento e tudo era escuro. Escuridão imensa. Liguei a lanterna porque me tinham avisado para não acender qualquer luz. Nada! O inquilino não queria! Entrei e substitui uma torneira do lavatório, sempre com a lanterna ligada. A minha vista habituara-se à escuridão e antes de sair, consegui vislumbrar ao fundo da sala, completamente desprovida de móveis e, "ajudado" por uma nesga de luz que furava através do espesso cortinado, vi o que me pareceu ser um homem sem pernas sentado numa cadeira de rodas! Parecia que acabava de sair de uma cena de Hitchcock!
Aconteceu mais um episódio com uma torneira de lavatório e a inquilina que era filipina e que...Ah! Esta não conto! Ahahahahahah!!!!
Ó Mário, coooooonnnnta!!!!!
ResponderEliminaroh !!! foda-se continua
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