quarta-feira, 1 de outubro de 2025

É BARATÉRRIMO!


 

LINHA SOS PSD

Tenho simpatia por Maria João Marques.
Estou a brincar, não tenho nada. Mas desde que começou a atirar fogo amigo na Helena "portanto" Gouveia, fiquei com uma ligeira crush, admito. Ainda assim, ela não me levará a mal se der aqui um ou outro toque à crónica desta semana do Público.
Desde logo, proponho que as crónicas tenham um título único. Algo do género: "Em defesa do PSD, seja lá qual for o líder", seguido do número da semana. Chega a 52, muda o ano e volta ao número 1. Parecendo que não, este tipo de simplificação ajuda na interpretação dos textos, não vá alguém pensar que o que dali sai é opinião e não um roteiro de propaganda.
Também não a culpo, note-se. O Sebastião Bugalho criou aqui uma espécie de precedente nesta coisa de martelar propaganda disfarçada de opinião, com um estrondoso sucesso e garantia de emprego bem pago. É justíssimo que outros pretendentes pensem que há bar aberto e, até por isso, se compreendem melhor as palavras da Maria João a propósito do “chega para lá” que a Lena levou quando quis contactos no PSD. Calma, miga… vai para a fila, que todas temos contas para pagar.
A Lena lá teve que ir fingir que era democrata-cristã e encostar-se ao Nuno Melo na reconquista de Olivença. O CDS, por estes dias, aceita tudo o que é refugo, mas convenhamos: desde as cruzadas, os cristãos andam a chacinar árabes e, portanto, a Helena até não fica mal no colo do Melo (mas senta-te, rapaz, é coisa para doer).
Nesta semana, curiosamente, a Maria João (MJ) escreveu um artigo em que defende uma medida estapafúrdia do PSD. O que eu gosto na MJ é que ela é um todo-o-terreno em política laranja. Quando Montenegro anunciava políticas de direita em período eleitoral, ela defendia e tentava cavar o fosso para o PS. Agora que Montenegro aplica um misto de políticas liberais com políticas fascistas de nacionalidade e imigração, que nunca foram discutidas ou assumidas na campanha, a MJ assina de cruz. Portanto, tanto faz. Se foi decidido pelo PSD, é, em princípio, bom.
Faz-me lembrar aquele rapaz dos óculos com voz esganiçada e óculos de fundo de garrafa (João qualquer coisa) que aparece na CNN e que bate palmas a tudo o que o governo ADega faz. Há uma pazada (termo técnico) de rapaziada laranja que estava aborrecida com aquilo da social-democracia e encontra, nos dias de hoje, finalmente espaço para tirar o racismo e o ódio do armário. Estão todos mais leves. Menos a Helena, que parece carregar muito.
A MJ está para o PSD como a minha avó esteve para mim, a vida toda. Não havia asneira que eu fizesse que ela não arranjasse maneira de colocar uma roupita melhor. Eu desejo muito que a Maria tenha, o quanto antes, um lugar visível na estrutura do PSD e, se possível, que possa trabalhar num ministério qualquer. Por exemplo, no das Finanças, desde logo porque me parece ter uma excelente relação com a realidade financeira nacional.
Quando a Maria João nos avisa, alertando que as medidas do PSD para as rendas são realistas, dizendo que quem paga 2300 euros por mês não são pessoas ricas e que um T2 em Lisboa chega facilmente a 648 000 euros, está mesmo a dar tudo pela causa. O que, repito, eu respeito porque, no fim do dia, todos temos contas a pagar.
Mas vamos fazer um esforço de meter os pés no chão e traduzir a propaganda, desculpem, o artigo de opinião.
Um T2 em Lisboa chega facilmente aos 648 000 euros? Sim, é verdade, e o problema começa logo aí. O governo não deve criar medidas de apoio que ajudem ainda mais a bolha de especulação imobiliária em que Portugal vive. Portanto, o único realismo que o governo tem aqui é dizer sim à pornografia imobiliária e continuar a arrecadar jackpots em impostos.
Depois, como a Maria João saberá, os bancos aconselham que a taxa de esforço com a habitação ande pelos 30% do orçamento mensal. Isto para não andarem sempre com a corda no pescoço e depois terem que ir a correr procurar avenças em partidos políticos.
Uma pessoa/família que pague 2300 euros por mês pela sua casa deve, em teoria, ter um orçamento a rondar os 7000 euros líquidos por mês. Por outras palavras, e desculpem este aborrecimento dos números, segundo dados do Pordata (2022), existem 70 349 pessoas em Portugal com esse tipo de rendimentos ou, de uma forma mais simples, 0,65% da população portuguesa.
Significa isto, Maria, que o realismo do Montenegro aplica-se a 0,65% dos portugueses. Não é bem esta rapaziada que me vem à cabeça quando penso em minorias que precisam de ajuda. Uma renda de 2300 euros não é uma renda moderada em Portugal. É esta a conclusão para quem não percebeu ainda.
Claro que atrapalha muito, nisto da moderação, 25% da população a receber o salário mínimo e mais uns 70% andarem ali pelos 1000 - 1300 euros, mais esmola, menos esmola. É por isso uma pena termos nascido num país tão pobre; caso contrário, esta medida do governo ADega seria supimpa.
A título de curiosidade, depois de ler as considerações da Maria João, dei um grito no escritório e perguntei: "Alguém paga uma renda moderada de 2300 euros?". 15 pessoas disseram-me que não. Ninguém paga mais do que 1500 euros, ou seja, renda para pobres na escala montenegrina. Claro que isto é gente que vive na Suécia, esse país cheio de pelintras.
É também por isto que gosto de ler as crónicas do PSD que fazem a linha editorial do Público; há sempre algo para aprender. Hoje, a título de exemplo, aprendi que uma renda moderada em Portugal é uma renda elevadíssima na Suécia.
Já não foi um dia perdido.

TIAGO FRANCO in Facebook aos 1 Outubro 2025

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