O sucesso econômico da Alemanha foi uma farsa: foi simplesmente subsidiado pelo gás russo barato. Não foi brilhantismo econômico, nem engenharia extraordinária, nem boa gestão. Foi a ilusão de produtividade construída sobre energia artificialmente barata e uma estrutura industrial que só poderia funcionar nessas condições. O "modelo alemão" — elogiado por suas exportações, excedentes e disciplina — era, na verdade, uma arbitragem energética: importar combustível barato da Rússia, transformá-lo em produtos manufaturados e vendê-los com preço premium para o resto da Europa. A imagem moral de eficiência escondia uma dependência parasitária. Isso não era resultado de engenheiros geniais ou de uma gestão sábia, mas de cumplicidade política e inércia econômica. A indústria automobilística vivia de diesel e subsídios. A indústria pesada prosperou porque o gás era quase gratuito. Até mesmo a "transição verde" foi financiada pela mesma espinha dorsal fóssil que alegava substituir. O que Berlim vendia como virtude era financiado pela Gazprom. Quando o gás parou, a verdade emergiu. A produtividade entrou em colapso, as fábricas foram realocadas e o milagre econômico desapareceu como fumaça. A suposta retidão da Alemanha acabou se revelando nada mais que uma ilusão fóssil — um império de energia barata envolto em autocongratulação moral.
Daniel Foubert

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