Há pouco, ouvi Nicolau Santos referir na RTP sobre a importância que Pinto Balsemão dava à independência. Em 2003, andava na Escola Superior de Comunicação Social e era já um grande admirador do Rui Pereira. Nesse ano, o então jornalista do Expresso tinha conseguido entrevistar dirigentes da ETA e a peça estava preparada para ir para o ar na SIC. Era um exclusivo de que nenhum canal prescindiria. De repente, veio uma ordem para que não fosse transmitida. Oficialmente, a Embaixada de Espanha, em Lisboa, assumiu junto da imprensa espanhola ter pressionado o canal de Pinto Balsemão. Contudo, na época, falou-se de uma intervenção directa do então rei de Espanha Juan Carlos junto de Balsemão, ligados por uma relação de amizade desde a juventude.
Mais de uma década depois, o Sindicato dos Jornalistas exigia ao Expresso que divulgasse os nomes dos jornalistas envolvidos numa investigação judicial ao Grupo Espírito Santo, conhecida como Panama Papers. Na época, o semanário fundado por Pinto Balsemão prometia dar os nomes dos jornalistas que teriam recebido dinheiro através de uma empresa num paraíso fiscal. Nunca aconteceu.
Deixo aqui uma fotografia histórica de Pinto Balsemão, também membro do Grupo Bilderberg e antigo primeiro-ministro (em cujo mandato dois manifestantes foram assassinados pela polícia nas comemorações do 1.º de Maio da CGTP) a servir de mestre de cerimónias à entrega de um globo de ouro da SIC a Mário Soares pelo antigo agente da CIA e antigo embaixador norte-americano em Portugal, Frank Carlucci.
Bruno Carvalho (jornalista) in Facebook aos 22.10.2025
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