Era uma vez um rapaz…
Nado e criado num palácio. Viveu nos dourados anos 40, no Estoril.
Toda a “realeza” fora corrida da Europa e ali vivia em palacetes, fazendo praia no tamariz e chorando
amargamente a perda das coroas…
Entre eles o Humberto de Itália e os Borbons de Barcelona…
Como o juanito carlos, que haveria de ser o mais famoso cleptómano europeu e teve que fugir para o Dubai.
Os “tedy boys” da linha divertiam-se, entre o ténis, as corridas de carros e as “boites”.
O chiquinho representava as cores nacionais.
Emparelhava com o juan, depois de dar um tiro no irmão.
O juan, claro…
Depois o chiquinho foi estudar direito…
O titi, riquíssimo, era o dono do Diário Popular.
“Deixou-o” ir para lá…
Assim nasceu o “mito do grande jornalista”.
Mas ele queria “um“ só para ele.
Os titis são para as ocasiões.
E o titi deu-lho!
Expressamente!
E com 2 jornais passou a ser um figurão.
Influente!
Juntou uns amigos, todos ricos.
O mais notável era o Sá, oriundo da alta burguesia Portuense.
Outro da opus dei, o bosco dos Açores.
Nascia o mito da “ala liberal”…
Por esses tempos, o Maia e outros bravos derrubaram a ditadura.
E os da ala, “ala que se faz tarde”, com a ajuda dos 2 maiores jornais, formaram um partido, alaranjado, com as estruturas locais da ANP do salazar e do caetano…
Em 1975, nas eleições foi o 2.º partido.
O chiquinho também era o N°2
O 1.º seria o Sá, até 4 de dezembro de 1980.
Nesse dia, houve vacatura trágica e inesperada do cargo.
O eterno N°2 sentou-se na cadeira.
Passou a N°1
Foram 2 anos de intrigas e conspirações, ninguém queria o N°2 agora alçado sem votos a N°1.
Respirava com muita dificuldade.
A mulher não ajudava nada.
Entrevistada para o “jornal de referencia” declarou:
“Sou uma mulher normal, como qualquer outra portuguesa.
Levanto-me de manhã, vou jogar ténis e depois buscar os meninos ao colégio…”
Até que os conspiradores
(o Marcelinho e outros)o derrubaram.
O Soares voltou à ribalta.
O N°2 voltou para a duque de Palmela, no Expresso da meia noite.
Foi a terras de Vera cruz falar com o dono da Globo e iniciou a tv privada.
O Soares, generoso, deu uma ajuda e uma carta de recomendação.
Dizem.
E por lá andou muitos anos.
Sempre mau a fazer escolhas, desde ministros que o traíam, e que em privado lhe chamavam “lelé da cuca”
(Como disse a Maria de Belém, em directo nas TVs, há alguns anos, ao provável autor do epíteto)
até aos directores, que expressamente lhe mordiam a mão mal podiam, enquanto degustavam Joaquinzinhos fritos.
O mais famoso, que “directurou” 5 anos, foi um que lhe publicou a biografia não autorizada:
Divulga os nomes das amantes todas, os locais dos encontros e até os telefones…
A gratidão à antiga portuguesa.
De vez em quando lembravam-se dele, (por ser o dono de um
”jornal de referência” e de uma estação)
para presidir a uns congressos ou apresentar uns livros…
Nos últimos anos a concorrência na comunicação apertou.
O jornal e a estação, passaram a viver de empréstimos bancários dados pelo DDT e obrigacionistas falhados.
Descalabro eminente e adiado há mais de uma década…
Há uns tempos por todas estas obras valorosas, começaram a chamar-lhe, visionário, empreendedor, Senador da república e até pai
Fundador da Democracia
e outros títulos e panegíricos que até o próprio esbugalhava os olhos espantado…
Acaba santo. Mesmo sem ser beato.
Toquem as trombetas. Preparem o panteão.
Parafraseando o Brecht, “era um homem insubstituível, se voltasse daqui a uma semana, não encontraria em todo o império um lugar de porteiro.”
Mas deu uns toques?
Deu…
Varela de Matos in Facebook aos 22.10.2025

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