quinta-feira, 23 de outubro de 2025

MISTER BURNS LUSO E O CLUBE BILDERBERG




 Houve um tempo em que o simples facto de sugerir que existia um grupo de 'maduros e maduras bem nascid@s' que se reunia sob o nome Clube Bilderberg bastava para sermos chamados chalupas.

Azar dos chalupas (os verdadeiros) porque a partir do colapso da URSS eles deixaram de se esconder, deram suas caras feiosas e até criaram um site na Internet.
Suas reuniões, até aí absolutamente secretas (bom, sempre transpirava alguma coisa, onde quer que eles se encontrassem, sempre havia um rodopio inusitado, até de meninas e meninos de programa, por muito pacato que fosse o lugar (aliás, quanto mais pacato mais se notava, brincamos?)
em dada altura, a confiança era tanta que até os nomes menos conhecidos do clube começaram a circular. E foi assim que o nome Balsemão surgiu, até diante dos olhos de todos os que até aí diziam que não existia tal coisa.
O engraçado é que nem Balsemão nem outras figuras de segunda linha desse selecto clube se incomodaram com isso, pelo contrário.
Hoje tenho a certeza que essas figurinhas sentiram até algum reconhecimento nisso e não só não desmentiram como até ostentaram. Estava-se então em plena época do 'fim da história' e os 'finalistas queriam ser vistos no baile, claro.
Cedo piaram, a história não acabou, talvez alguns deles (os de primeira linha) até sintam saudades dos tempos de secretismo porque o mundo já não é o mesmo do pós- colapso soviético.
Nem me admiraria se essa maltósia voltasse aos tempos da 'clandestinidade', depois de terem entreaberto a porta de suas reuniões, revelando os assuntos em discussão à omprensa arregimentada. Mas não o que se falou sobre eles, estamos malucos? jamais foram publicadas as intervenções orais dos participantes e muito menos as conclusões.
Desse ponto de vista, o Fórum Económico Mundial foi mais saloio, realizou-se sempre no mesmo sítio (Davos, na Suíça) e suas intervenções foram públicas, como suas 'conclusões! cambada de plebeus, camponeses, red-necks!
Era um pouco como as famílias beirãs que conheço que, vivendo no interior vão, todos os anos, fazer férias estivais sempre na mesma casa alugada, na Figueira da Foz, em Aveiro, em Mira ou na praia da Tocha.
O clube Bilderberg foi inaugurado por príncipes e aristocratas, era outra loiça. E Balsemão hospedou o Rei Juan Carlos de Espanha, durante o Franquismo (em Espanha) e o Salazarismo (em Portugal). Isto nem chega a ser segredo, é tão público que, se alguém me pedir links, o mando para a linkagem que o pariu, digite no Google porra, não há mais desculpas para a preguiça.
Mesmo que lhe faltassem os pergaminhos aristocráticos (talvez não, não sei, tanto quanto saiba Balsemão é o nome de um rio) ele ajudou um deles (dos aristocratas) em tempos difíceis: Não é estranho que ele fosse o melhor dos seus homens em Portugal, só os tapadinhos se inquirem ainda sobre isso.
Lamento qualquer morte, de qualquer ser humano. Mas naturalmente lamento muito mais qualquer pessoa que tenha conhecido pessoalmente e muito mais se ela me deixou uma impressão favorável. Não foi o caso de Balsemão, mas para ser sincero também nunca o odiei, nem perto disso.

António Gil in Facebook aos 22.10.2025

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